Poucos âmbitos dos negócios e da sociedade ainda não foram afetados pela revolução provocada pelas mídias sociais. E muitas organizações já estão respondendo a essa nova realidade, pois perceberam o poder e o potencial dessa tecnologia no ambiente corporativo: wikis para colaborações mais rápidas em projetos que interligam diversas áreas, blogs internos, plataformas para discussão e troca de ideias, campanhas virais que engajam os clientes e consumidores, e líderes que agora moldam a sua estratégia empresarial 2.0.[...]
Mas essa mudança também criou um dilema para a liderança: enquanto o potencial das mídias sociais parece imenso, há riscos que geram incerteza e inquietação. Há, por exemplo, a possibilidade de que informações confidenciais tornem-se virais na rede. O modelo de gestão da maioria das organizações ainda é pautado na linearidade e controle dos processos, o que é contraditório à lógica participativa desses meios, que incentivam a colaboração horizontal e caminhos aleatórios pelas hierarquias.
Segundo Roland Deiser, autor de "Organizações Inteligentes", livro trazido para o Brasil com exclusividade pelo LAB SSJ, e Sylvain Newton, gerente de desenvolvimento de liderança da General Electric, aproveitar esse poder de transformação e ao mesmo tempo amenizar os riscos exige um novo tipo de líder. As mídias sociais demandam qualidades já conhecidas dos gestores eficazes, como criatividade estratégica, comunicação autêntica e capacidade de lidar com a dinâmica social e política da corporação - mas também acrescentam novas dimensões a essas características, como a necessidade de se criar conteúdos multimídia engajadores. Não basta criar, mas sim saber cocriar e compreender a natureza das diferentes ferramentas de mídia social e a força que cada uma desencadeia.
Confira abaixo as seis habilidades definidas pelos autores como necessárias para esse novo perfil de liderança:
Nível pessoal:
1 – O líder como produtor: criando conteúdos atraentes
Com a atual onipresença das filmadoras e a facilidade para se publicar um vídeo no YouTube, as ferramentas para produção e compartilhamento desses conteúdos estão nas mãos de todos. Para se engajar em tempo real, os executivos também precisam ter habilidades técnicas para dominar as noções básicas de multimídia digital, o que inclui gravar e até editar.
2 - O líder como distribuidor: alavancando as dinâmicas de distribuição
Tradicionalmente, líderes disseminam a informação através de uma cadeia controlada e linear – empresas criam informativos para divulgar e explicar suas novas iniciativas. Essas formas não irão desaparecer, mas as mídias sociais chegaram para revolucionar e inverter esse processo de informação: o colaborador é convidado a cocriar e contextualizar os conteúdos para um novo significado, enquanto as mensagens são retransmitidas à vontade pelos destinatários.
3 - O líder como destinatário: gerenciando o excesso de informação
As mídias sociais criaram um oceano de informação. Estamos afogados em uma inundação interminável de e-mails, feeds de RSS, atualizações do Facebook, e muito mais. O que fazer? Como primeiro passo, líderes devem se tornar proficientes no uso de ferramentas e configurações que auxiliem a filtrar o que é mais importante. Mas esse ambiente turbulento de hoje exige mais do que apenas esta habilidade. No reino das mídias sociais, a informação é compartilhada e comentada em questão de segundos, e os executivos devem decidir quando (e quando não) responder, quais mensagens devem ser ligadas a seus blogs, quando utilizar materiais e misturá-los com os seus próprios, e o que partilhar com os seus diferentes públicos. A criação de significado torna-se um processo colaborativo em que os líderes têm de desempenhar um papel fundamental.
Nível estratégico organizacional:
4 – O líder como conselheiro e orquestrador: conduzindo uma utilização estratégica das mídias sociais
Na maioria das organizações, a “alfabetização” nas mídias sociais ainda está em sua infância. Mas, sem orientação e coordenação, e sem esses recursos aqui listados, todo o entusiamo ao redor dessas ferramentas pode sair pela culatra e causar danos graves. Executivos devem se tornar conselheiros de confiança, habilitando e apoiando seu ambiente no uso de ferramentas sociais, assegurando que uma cultura de aprendizagem e reflexão seja amplamente disseminada.
5 – O líder como arquiteto: criando uma infraestrutura organizacional
Líderes mergulhados nessas novas mídias irão testemunhar que elas os obrigam a navegar entre objetivos conflitantes: eles devem se esforçar para estabelecer uma infraestrutura técnica e organizacional que incentiva o livre intercâmbio, mas também impor controles que minimizam os riscos do uso irresponsável dessas ferramentas. A tarefa do líder é unir a responsabilidade vertical e a colaboração horizontal em uma rede que não seja autodestrutiva.
6 – O líder como analista: ficando à frente da curva
Com as empresas começando a digerir as consequências da revolução da Web 2.0, uma nova mudança de paradigma já está batendo à porta. A próxima geração da conectividade – a internet das coisas – irá unir eletrodomésticos, carros e todo o tipo de objetos. Como resultado disso, serão cerca de 50 bilhões de dispositivos conectados até 2020. Essa transformação irá abrir novas oportunidades, gerar novos modelos de negócios e anunciar mais um ponto de reflexão importante que os líderes deverão saber gerenciar. É imperativo se manter a par dessas tendências e inovações emergentes. Executivos que monitoram esses sinais e experimentam novas tecnologias e dispositivos serão capazes de agir mais rapidamente e usufruir das vantagens antes dos demais.
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